“Comecei a trabalhar aos 12. Senti que ou estudava ou ganhava dinheiro”

Marco Costa deu um testemunho inédito sobre o início da sua carreira como pasteleiro.

"Comecei a trabalhar aos 12. Senti que ou estudava ou ganhava dinheiro"

Marco Costa foi o entrevistado deste sábado no programa ‘Conta-me Como És’ para viagem aos momentos mais marcantes da sua vida, começando pela infância, marcada por algumas dificuldades, mas sobretudo por grande alegria.

“A minha mãe era cabeleireira, tomava conta de crianças, vendia plantas, à noite trabalhava numa fábrica de sanduíches. Quando ouço falar em mãe guerreira o sinónimo é Esperança Oliveira. Desde pequeno que aprendi a viver com o pouco que temos. Às vezes não precisas de mais para seres feliz. A minha mãe fez esse trabalho muito bem”, começou por dizer. 

“Hoje em dia tenho um bom carro mas o primeiro que tive foi um Fiat Punto que me custou cem euros, todo podre. Chovia no carro, tivemos de comprar uma placa. Às vezes perguntam-me se tenho medo de cair. Medo de cair porquê se de onde eu vim já era feliz?”, recordou ainda.

Mergulhou no universo da pastelaria em tenra idade quando começou a ajudar o pai. Esta não foi uma área que o apaixonou de imediato, mas inspirado pelo progenitor, que morreu quando Marco tinha 18 anos, decidiu seguir os seus passos e deixou a escola para se dedicar a aprender as técnicas. 

“Comecei a trabalhar aos 12 anos na fábrica com o meu pai, fazia aquelas coisas que um miúdo pode fazer. Trabalhava de noite e estudava de dia. Aos 15 deixei a escola e fui trabalhar como ajudante de pasteleiro. Senti que ou estudava ou ganhava dinheiro. E tirar dinheiro onde faz falta… Não me arrependo. Não podemos ser todos doutores, apresentadores, mas em todas as profissões podemos ser bons”, afirmou. 

Atualmente proprietário das lojas de fabrico próprio ‘Receitas Com Segredo’, Marco Costa não tira as ‘mãos da massa’ e reconhece que o sucesso que atingiu é fruto de muita persistência e trabalho, com os ensinamentos do pai sempre presentes. 

“Quando o meu pai morreu não me deixou nada que eu pudesse tocar, mas deixou-me tudo, deixou-me a minha profissão. Tenho a mágoa de não poder partilhar com ele as coisas que tenho. Sei que onde ele estiver pensa: ‘Fui um chato, mas és um grande homem’. Fui um filho difícil, com esforço os meus pais fizeram um grande trabalho”. 

E rematou: “Acordo todos os dias às quatro da manhã, muitas vezes com um frio de rachar, e penso: Hoje é mais um dia, não vai faltar nada a esta família. Tudo o que puder proporcionar, vou proporcionar. No que eu puder fazer, não vai falhar nada”.

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